Newsletter Trimestral - T1 2017

Maria João Carioca, Euronext LisbonConfesso que, num primeiro  momento, hesitei sobre qual seria a melhor forma de introduzir este editorial.  Opto por fazê-lo, como é hábito, sem rodeios: no dia 13 de Dezembro de 2016, apresentei a minha demissão enquanto CEO da Euronext Lisbon. Uma das questões – de resto, natural, - que se poderia colocar, à luz deste facto, seria sobre a legitimidade de assinar este editorial. E a ironia é que, agora, mais do que nunca, faz todo o sentido que o faça.

Esta é a oportunidade perfeita para enfatizar, sem sombra de dúvida, que a missão da Bolsa é uma de continuidade. Ao longo dos últimos 6 meses, em que tive a honra de representar esta instituição, tenho utilizado frequentemente a expressão “fazer caminho” e é esse o fio condutor da actuação da Bolsa.  “Fazer caminho” é actuar firme nas circunstâncias do presente, mas sempre com os olhos postos no futuro.

A Bolsa tem de ser vista pelas empresas como uma ferramenta de trabalho, independentemente da sua dimensão ou sector. Tive, recentemente, oportunidade de dar alguns exemplos de SMEs que utilizaram esta via de financiamento para possibilitarem os seus projectos - entre eles, uma pastelaria (Poulaillon), uma sorveteria (Sorbet d’Amour) ou uma casa de sabonetes (Savonnerie de Nyons) com capitalizações entre os 3 e 33M€; e uma série de empresas no sector biotecnológico, como a Gensight que encaixou 40M€ numa oferta combinada (valor de mercado 164M€). A Euro-next liga o mercado de capitais à economia real, e às empresas que compõem essa economia.

E numa altura em que Portugal cada vez mais se posiciona como “hub” de empresas inovadoras, faz todo o sentido a aposta do Grupo no “Techshare”, um programa da formação intensivo, desti-nado a tecnológicas, - empresas de pequena dimensão, com um perfil disruptivo, com grande po-tencial e necessidade de internacionalização, mas dificuldade em obter financiamento pelos canais tradicionais. Este ano, em Portugal, quatro empresas,  Adclick/Impacting Group, Lymphact, Magnomics, e Mobiag, - compõem a turma daquela que é já a segunda edição deste programa. Ao longo de um ano, irão receber formação e beneficiar do contacto próximo de profissionais do mercado de capitais, e ainda de uma forte componente de networking com empresas pares europeias.

Outra frente na qual estamos a trabalhar, para que esta solução de financiamento seja cada vez mais uma alternativa para o tecido empresarial Português, é a Unidade de Missão para a Capitalização, e sobre esse tópico em particular, fazemos nesta newsletter um ponto de situação. Utilizar aqui a expressão “frente”, de resto, tem o seu quê de especial, depois da associação com a Marinha para a conferência Via Bolsa do passado dia 18 de Outubro. Numa manhã produtiva, em que se colocou o tema de financiamento através do mercado de capitais em destaque, fomos recordados de como o rigor, a disciplina e a preparação são chave em qualquer estratégia de sucesso.

É esta a forte convicção da Euronext Lisbon, na expectativa de poder vir a celebrar, à luz da cerimónia do passado dia 24 de Outubro, com a Galp, muitos mais aniversários, de novas empresas cotadas, na Bolsa nacional. Essa é também, de resto, a ambição da Patris, admitida, no passado dia 15 de Dezembro, ao Al-ternext, e que assim inicia o seu percurso no mercado de capitais.

O processo de admissão da empresa portuguesa,  de capital privado e activa em negócios financeiros e não-financeiros, ficou concluído em apenas 3 meses, mas foi sobretudo o colmatar de um processo de maturação maior, iniciado – e acompanhado de perto – na vigência de administrações anteriores da Bolsa.

Da mesma forma que a mim coube o prazer de poder liderar a cerimónia que marcou o culminar deste trabalho, ao(à) meu(minha) sucessor(a) caberá, esperamos, honra similar com outras empresas, que no mercado de capitais encontrem a plataforma de que necessitam para a concretização dos seus objectivos.

Porque o trabalho da Bolsa de Valores assenta numa equipa sólida, que actua, diariamente, nas fileiras, num trabalho de proximidade com as equipas de gestão. É este o desafio subjacente ao trabalho que a Euronext Lisbon faz, - permanentemente, lado a lado, - com as empresas, numa óptica de preparação e crescimento. Acompanhar as empresas na sua trajectória evolutiva, e mostrar-lhes de que forma é que o mercado de capitais pode ser integrado na sua estratégia de crescimento, a curto, médio ou longo prazo.


Maria João Carioca, Euronext Lisbon

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