Newsletter Trimestral - T1 2016

O Pecado Capital

O Pecado (não é) Capital

Não obstante a Bolsa se posicionar como uma entidade agnóstica, entendi que a expressão fazia todo o sentido no contexto em que vivemos e, sobretudo, para melhor realçar os desafios que enfrentamos.

A afirmação de que o “Pecado não é Capital”, não tem como propósito dar a entender que a “Dívida” o seja.

O propósito é unicamente o de realçar a importância do “Capital” e a necessidade imperiosa de o mesmo ser valorizado e estimulado, atendendo ao papel imprescindível que desempenha, como suporte ao desenvolvimento económico e ao bem-estar a este associado.

Ainda que não tenhamos elementos quantitativos suficientemente amplos e validados para o afirmar, partilho a convicção de que, para uma parte muito significativa dos cidadãos Portugueses, a palavra “Capital”, tem uma conotação negativa.

Essa percepção não só é errada como é profundamente nefasta e deve (e pode) ser completamente alterada.

O Capital é o elemento mais estável para suporte da actividade de uma empresa, funcionando por isso como um alicerce da mesma.

Tal como na construção de um edifício, a robustez dos alicerces é um elemento determinante da segurança do edifício e da capacidade do mesmo poder ser ampliado ou fazer face a cargas acrescidas e utilizações mais exigentes, a que possa vir a estar sujeito.

No caso das empresas, felizmente e contrariamente aos edifícios, vamos quase sempre a tempo de reforçar os alicerces (i.e., o Capital) e com isso robustecer a empresa, para que esta possa enfrentar os riscos a que a actividade empresarial está sujeita (sejam internacionais, nacionais, setoriais ou internos à própria empresa) bem como estimular a ambição do crescimento, condição imprescindível à sustentabilidade da actividade a médio e longo-prazo.

O “Capital” tem no entanto a particularidade de poder ser representado por acções, as quais, não deixando de traduzir o que de mais estável existe na empresa, podem facilmente mudar de mãos e variar de preço.

As características da transmissibilidade da propriedade e da variabilidade de preço, apesar de serem provavelmente as que estão na origem de muitas percepções erradas por parte dos cidadãos, são no entanto extremamente positivas, na medida em que, entre outros aspectos, não implicam que seja retirado da empresa o recurso fundamental que é o “Capital”.

Por tudo o já referido e por muito mais que se poderia acrescentar, é fácil concluir e nunca será demais sublinhar, que “o pecado não é Capital” e que, se algum “pecado” existe, é exactamente o da falta de “Capital”.