"O empreendedor social não se contenta em dar o peixe, nem mesmo em ensinar a pescar. O empreendedor social não descansa enquanto não mudar a lógica da indústria da pesca".
(Bill Drayton, fundador da Ashoka).
A Bolsa de Valores Sociais nasce de uma interrogação fundamental: como pode uma Bolsa desenvolver a sua política de responsabilidade corporativa, recorrendo-se de recursos e conhecimentos que só uma Bolsa tem, produzindo um resultado social potencialmente muito superior ao que os seus accionistas conseguiriam, com os mesmos recursos financeiros?
A resposta foi: fazer uma bolsa dedicada a projectos de natureza social, mas assente em princípios semelhantes aos de uma bolsa financeira. O valor económico que uma Bolsa financeira gera está intimamente ligado à sua capacidade de promover o encontro entre a procura e a oferta de capitais para investir, num ambiente de idênticas condições de acesso, total transparência, responsabilização, e competitividade. Adicionalmente as bolsas conseguem aumentar consideravelmente a visibilidade e a notoriedade das empresas cotadas, de uma forma que dificilmente é replicável, mesmo quando se investem montantes significativos em promoção e publicidade.
Não há nenhuma razão para que estes princípios, com as necessárias adaptações, não se possam aplicar aos empreendedores sociais - as organizações de solidariedade social, que têm necessidades de financiamento (receptoras de doações) - e aos investidores sociais - cidadãos individuais ou empresas e outras instituições, que pretendam financiar obras de reconhecida valia social. Deste modo a Bolsa de Valores Sociais promove o encontro entre a oferta e a procura de fundos para fins sociais, a partir de uma conduta assente na transparência e credibilidade das partes envolvidas.
O principal objectivo da Bolsa de Valores Sociais é, pois, identificar e apoiar organizações sem fins lucrativos que apresentem projectos capazes de oferecer respostas efectivas aos mais urgentes problemas sociais. A criação de social capital markets e os resultados já alcançados no Brasil levaram ao reconhecimento do projecto pela UNESCO e à sua classificação como Estudo de Caso pela ONU no âmbito do Pacto Global.
Em Portugal, a Bolsa de Valores Sociais é suportada por uma plataforma de internet que permite ao investidor social, não só a realização dos seus investimentos online, mas também o acompanhamento da realização dos projectos que seleccionou, através de relatórios periódicos de execução e cumprimento de objectivos. Desta forma estabelece-se uma relação de transparência e credibilidade entre a organização social e o investidor social, criando um novo padrão de responsabilização financeiro e social das organizações cotadas.
Nesta plataforma são listados os projectos que, após um criterioso processo de selecção e auditoria, pela equipa de técnicos especializados da Bolsa de Valores Sociais, se enquadrem nos objectivos e regras desta plataforma, e revelem, por parte das suas equipas de gestão, capacidade de implementação e sustentabilidade. Nesta óptica, a Bolsa de Valores Sociais pode ser também uma forma de muitas empresas "subcontratarem" a sua política de responsabilidade social, canalizando parte ou a totalidade dos seus orçamentos filantrópicos para os projectos cotados nesta Bolsa. Desta forma evitam todo o trabalho de procurar, seleccionar e avaliar os projectos e as entidades que se decidirem apoiar.
A Bolsa de Valores Sociais é, em Portugal, uma iniciativa da Atitude SSE, uma associação sem fins lucrativos, em parceria com a Euronext Lisbon, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação EDP. Foi lançada no dia 2 de Novembro de 2009, pelo que está ainda a dar os primeiros passos. A coordenação deste projecto está a cargo de Celso Grecco, criador da primeira Bolsa de Valores Sociais do mundo, no Brasil.
A Bolsa de Valores Sociais reflecte na sua missão a necessidade de promover "novas respostas para velhos problemas", procurando seleccionar projectos que actuem sobretudo nas causas dos principais estigmas sociais, promovendo assim a sua erradicação.